Entenda o Burnout em profissionais da saúde e como evitá-lo

Entenda o Burnout em profissionais da saúde e como evitá-lo

Queimar para fora”. É o que significa o termo burnout, acontece quando algo não está mais funcionando por desgaste. Essa terminologia também é conhecida como Síndrome de Esgotamento Profissional. Na área da saúde, recentemente a síndrome ganhou mais visibilidade. Em virtude do burnout em profissionais da saúde ocorrer com bastante frequência.

A partir dos anos 90, a literatura sobre essa doença começou a se intensificar. Entretanto, foi na década de 70 nos Estados Unidos que o médico psiquiatra Freudenberger tornou conhecido o termo. Ele identificou em uma instituição de dependentes químicos como os voluntários se esgotavam com o trabalho, com sintomas de depressão e exaustão emocional.

Geralmente, o burnout em profissionais da saúde ocorre porque a carreira envolve o contato interpessoal constante e intenso. Em termos gerais, qualquer profissional da saúde está suscetível a desenvolver a síndrome. Mas é no setor público que pode ser mais recorrente. Devido a falta de materiais básicos, lotação de pacientes e infraestrutura precária. Vamos conhecer sobre os sintomas do burnout em profissionais da saúde?

ESTÁGIOS DO BURNOUT

Existem diversas definições para o burnout, a mais conhecida é das autoras Maslach e Jackson. Sendo assim, definido por elas como uma síndrome multidimensional que se apoia em três fatores: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização profissional. Elas chegaram até essa tríade a partir do questionário Maslach Burnout Inventory (MBI). Vamos conhecer melhor cada uma delas abaixo:

  • exaustão emocional: o estresse no trabalho ocasiona uma dificuldade emocional para lidar com diversas situações da profissão
  • despersonalização: relação negativa com colegas de trabalho e pacientes, tornando o profissional da saúde distante e insensível
  • redução da realização profissional: falta de motivação no trabalho, criando o sentimento de pessimismo e insatisfação com o trabalho

No entanto, outros dois sinais fazem parte desses estágios: a depressão e fadiga crônica, acompanhados por momentos de crise.

COMO IDENTIFICAR O BURNOUT EM PROFISSIONAIS DA SAÚDE

Os profissionais da saúde que mais apresentam sinais de burnout são das áreas da enfermaria, cirurgia, pediatria, oncologia, clínica médica e ortopedia.

A fim de identificar se os profissionais da saúde possuem a síndrome, o conhecimento geral sobre a doença deve ser primordial. Assim, fica mais fácil até dos próprios colaboradores compreenderem sua situação.

E como sinais que podem ser notados estão:

  • psicossomáticos: enxaquecas, insônia, gastrite, alergias, suspensão do ciclo menstrual, dores no peito, palpitação, fadiga crônica e resfriados frequentes ;
  • comportamentais: absenteísmo, uso de drogas, violência, isolamento, mudanças bruscas de humor, cinismo, pessimismo, irritabilidade e hostilidade;
  • emocionais: dificuldade para se concentrar, ansiedade, impaciência, tédio, ansiedade, frustração e desorientação;
  • defensivos: desconfiança, apatia, negação das emoções, atenção seletiva.

É claro que todos esses sintomas variam de indivíduo para indivíduo e dependem também das características do trabalho do profissional da saúde. No entanto, um dos primeiros sinais são a dificuldade para levantar de manhã ou a fadiga crônica. Seguido pelos sintomas que citamos acima.

FATORES QUE DEIXAM O PROFISSIONAL MAIS SUSCETÍVEL AO BURNOUT

Os autores Pines, Aronson e Kafry (1981) explicam de maneira clara o contexto em que se dá o burnout:”É um estado de esgotamento físico, emocional e mental, causado pelo envolvimento contínuo da pessoa em situações que a afetam emocionalmente”. Dessa forma, a síndrome está conectada às peculiaridades da ocupação. Entre elas, a intensa interação humana é responsável por afetar em diferentes níveis os profissionais da saúde. Sendo assim, eles sofrem com variados picos emocionais, como se estivessem em uma montanha-russa.

Além disso, características pessoais também podem ter peso no surgimento da doença. Um exemplo é a alta expectativa com o desempenho pessoal. A seguir, apontaremos os principais fatores:

  • Características relacionadas ao trabalho: segurança, cronograma apertado, turnos intensos e cansativos, antiguidade profissional, nível baixo de autonomia, incorporação ineficiente de novas tecnologias, salário, estabilidade do cargo;
  • Características externas e pessoais: facilidade em se desapontar e/ou frustrar, necessidade de estar no controle, impaciência, busca recorrente pela perfeição e competição.

FATORES ANTECEDENTES

Mas, não é somente no momento em que o profissional inicia sua vida no trabalho com a saúde, que ele fica suscetível ao burnout. Fatores antecedentes, incluídos neles as variáveis sociodemográficas, também causam efeitos. É o que mostra, por exemplo, o estudo de Maslach et. al. (1985), em que a autora demonstrou que as mulheres têm mais chance de ter a síndrome. Elas interagem mais com o público e segundo os dados, tinham menos chance de deixar o emprego.

Benevides-Pereira (2002) aponta os papeis sociais e esteriótipos de gênero como responsáveis por esses resultados. No caso das mulheres, a dupla jornada pode ser a explicação para a exaustão emocional e quanto aos homens, são altos os níveis de despersonalização. Isso pode ser um reflexo da repressão de emoções ou pela alta relevância que a realização pessoal representa para o gênero masculino.

Os níveis de escolarização também podem ser um fator decisivo. Indivíduos com níveis elevados de escolarização têm maiores expectativas sobre o futuro profissional, remuneração e acesso ao poder. Portanto, caso o trabalho não corresponda ao que esperam, podem surgir sentimentos como frustração e insatisfação. Além disso, sem que haja unanimidade quanto ao estado civil, alguns autores defendem a família como um fator protetor da incidência do burnout.

Quanto à idade, o burnout em profissionais da saúde é mais recorrente nos jovens. Devido a inexperiência, incapacidade de lidar com as altas cargas de trabalho, insegurança e altas expectativas.

CONSEQUÊNCIAS DO BURNOUT

Tanto instituição de saúde quanto profissional sofrem danos com o burnout. Segundo Jackson e Maslach (1982, cit in Correia, 1997), uma das primeiras reações são o afastamento do indivíduo. Pode ser esse afastamento físico do trabalho ou afastamento psicológico, ou seja, ele mentalmente não está no trabalho. Em seguida, é muito provável o profissional abandonar o posto de trabalho, apesar de todos os anos de dedicação e investimento financeiro. Na vida pessoal, o burnout pode afetar a relação com amigos e família.

Para as organizações, há perda na produtividade e afeta a imagem do hospital na prestação da assistência médica. Afinal, os pacientes também notarão a falta de profissionais ou a alta rotatividade. Além disso, podem surgir custos com o burnout. O hospital pode arcar com as despesas de possíveis tratamentos dos profissionais da saúde, assim como na contratação e formação de novos profissionais. Entretanto, alguns sinais prévios são possíveis do gestor detectar, como diminuição no rendimento, absenteísmo e turnover.

COMO PREVENIR E SUA IMPORTÂNCIA

São crescentes os casos de burnout em profissionais da saúde, fazendo com que seja prioridade do gestor discutir o tema na instituição médica. Pois, os efeitos da síndrome afetam a qualidade da performance da equipe com os pacientes. E os pacientes não podem sofrer danos por um mal atendimento.

Portanto, é necessário criar mecanismos que impeçam o surgimento do burnout. No caso dos profissionais da saúde, a criação de uma escala de horas de trabalho equilibrada, condições de trabalho adequadas e atrativas, investimento no aperfeiçoamento profissional da equipe, participação de todos na tomada de decisões e abertura para o diálogo sobre o tema. 

Como vimos, ter controle sobre as emoções no ambiente hospitalar é, então, uma habilidade necessária. Neste artigo você pode ler tudo sobre inteligência emocional e como isso melhora a qualidade de vida dos profissionais da saúde, assim como a produção no trabalho. 

 

Referências: Psicologado, Saúde e Transformação Social UFSC, Revista da Escola de Enfermagem da USP

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