Veja dicas de como dar diagnóstico difícil a um paciente

Veja dicas de como dar diagnóstico difícil a um paciente

Durante a carreira médica, todo profissional passa por momentos difíceis. Entre eles, o instante de dar um diagnóstico difícil a um paciente, gerando desconforto até para os profissionais mais experientes. Alguns diagnósticos delicados, podem impactar em questões psicológicas, físicas e culturais dos pacientes.

No passado, era visto de forma negativa dar más notícias para os pacientes. Isso porque a medicina não era tão avançada e não apresentava muitas opções de tratamento. Com o avanço da medicina e tecnologia, o médico pode hoje apresentar diversas possibilidades para reverter um quadro difícil de um paciente.

Entretanto, é necessário ter um passo a passo correto com a ética e é necessário profissionalismo médico para apresentar um diagnóstico ruim. Uma das primeiras guias a se consultar é o Código de Ética Médica (2010). Em seguida, seguir os procedimentos de um atendimento humanizado, em que se une a qualidade do conhecimento técnico do médico e a qualidade do relacionamento entre médico, pacientes, familiares e amigos.

COMO SE PREPARAR PARA DAR DIAGNÓSTICO DIFÍCIL 

O debate acerca do tema cresceu nos últimos anos, visando preparar da melhor forma tanto médicos quanto a equipe médica de enfermagem. Cada um com sua função, possui qualidades profissionais que devem levar em conta pontos essenciais ao dar um diagnóstico difícil. Ou seja, é preciso definir quem irá dar o diagnóstico, sua gravidade, onde e como ter essa conversa.

  • Quem? Na maioria dos casos, o indicado é o médico. Entretanto, pelo laço que muitos pacientes criam com enfermeiros, essa responsabilidade pode recair sobre ele. O importante é analisar esse momento delicado para não afetar o paciente, gerando mais sofrimento, dor ou alterar a forma como ele se relaciona com pessoas próximas a ele.
  • Onde? O espaço ideal deve ser reservado, confortável e silencioso. Nele, o médico irá revelar as informações e traçar o prognóstico. 

APRESENTAR AS INFORMAÇÕES COM HUMANIDADE

Pode haver diferenças em como cada médico dá as más notícias. Apesar disso, há recomendações para não se despejar todo o diagnóstico negativo no paciente. Diante do choque, alguns pacientes não ouvem o médico e ao sair do consultório podem “ter um branco”. Dessa forma, observe o estado psicológico do paciente, estágio da doença e respeite o quanto ele quer saber.

Caso exista um tratamento para a doença, fale dos próximos passos, exames e consultas. Isso permite abrir o diálogo com o enfermo. Use dessa estratégia, mas sinta o paciente, fale com eficiência, empatia e humanidade.

ENSAIE O DISCURSO

Nunca é tarde para usar a técnica do ensaio do discurso para dar diagnóstico difícil. Essa preparação permite ao médico elencar quais pontos não podem ficar de fora da conversa, imaginar as possíveis reações do paciente e como poderia responder à elas. Além de estar organizado, o médico tem certeza que irá repassar todas as informações.

ADAPTE A CONVERSA SEGUNDO O PACIENTE

A idade e capacidade de compreensão do paciente sobre a situação apresentam necessidades e reações diferentes. Portanto, o médico deve apresentar da maneira mais simples as informações e com a linguagem adequada. Ao mesmo tempo, o médico deve levar em conta os possíveis efeitos que as más notícias possam causar no paciente, e se isso causará riscos com relação à sua integridade. Apresentar o prognóstico com pequenas pausas também é uma boa dica nesse momento de angústia.

SEJA ATENCIOSO COM OS FAMILIARES

Como você sabe, é direito do paciente a preferência por informar ou não as condições de saúde. Entretanto, caso seja uma conversa também com a família e/ou amigos, autorizada pelo paciente, o médico deve informar tudo de forma didática também. Sempre aquelas informações permitidas pelo paciente. Se mostrar disponível, atencioso e calmo nesse momento é importante para a família e o futuro do enfermo.

RESERVE UM TEMPO

Ao dar diagnóstico difícil a um paciente, o médico não pode ter nenhuma pressa. Tenha tempo de sobra para conversar, explicar e sanar todas as dúvidas daquele encontro. Além disso, tenha em mente que repetir algumas informações nunca é demais, todo o suporte possível deve ser oferecido nessa hora. Todo esse cuidado é essencial para o comprometimento do paciente com o tratamento, se for o caso.

Dessa maneira, nesses momentos difíceis, deixe um tempo espaçoso entre as consultas do dia. Organize sua agenda médica de forma que nada possa atrapalhar a conversa, próximos compromissos e nem mesmo ligações telefônicas. Assim como, deixe consciente sua equipe médica a preferência para não ser interrompido, se possível.

Por fim, lembre-se que esse é um momento natural em toda a profissão médica. E que mesmo aqueles profissionais mais experientes podem se sentir tristes com a situação. Por isso é importante estar preparado para essas ocasiões.

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Referências: Abrale e Instituto Vencer o Câncer

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